A Autoridade dos Vedas

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O conhecimento pode ser obtido de três diferentes fontes: pratyaksha, percepção direta; anumana, hipótese; e ágama, escrituras sagradas reveladas. Embora essas três fontes de conhecimento sejam reais, elas não estão no mesmo nível. Na realidade, o sistema védico reconhece que é bem mais confiável obtermos conhecimento perfeito através das ágamas, escrituras reveladas, do que através de pratyaksha, percepção direta dos sentidos, ou anumana, hipótese.

Vamos começar analisando pratyaksha, a evidência direta. Para entendermos melhor esse ponto, devemos nos valer de uma afirmação védica que diz que todos nós estamos sujeitos a quatro tipos de defeitos: 1. invariavelmente cometemos erros; 2. somos influenciados constantemente pela ilusão; 3. temos a tendência de enganar os outros; 4. e os nossos sentidos de percepção são limitados e defeituosos. Em relação ao primeiro defeito, podemos nos lembrar do ditado popular “errar é humano”. Não há a menor dúvida de que, no decorrer de nossas vidas, estamos sempre cometendo um erro atrás do outro. Além disso, todos neste mundo aceitam o seu corpo como o eu. Por isso, quando uma pessoa se dirige a alguém e pergunta: “Quem é você?”, a resposta mais comum é: “sou o senhor João”, “sou um homem”, “sou brasileiro” etc. Mas tudo isso é ilusão, pois não passa de identificação corpórea. Então, por conta de sermos constantemente vítimas da ilusão, estamos sempre cometendo erros. Mas, ainda assim, pensamos que somos muito inteligentes. Em outras palavras, quer consciente ou inconscientemente, somos propensos a enganar os outros. Por fim, nossos sentidos são inquestionavelmente defeituosos. Por exemplo, podemos possuir uma visão perfeita, mas, na ausência completa da luz, de que nos vale a visão? É um fato que numa sala escura não somos capazes sequer de enxergar as nossas próprias mãos! Da mesma forma, embora o Sol seja muitas vezes maior do que a Terra, aos nossos olhos ele não nos parece muito maior do que um simples prato! Então, esse processo empírico de perceber as coisas através dos sentidos é chamado pratyaksha e, como foi dito, é limitado. Também existe a tentativa de se obter conhecimento através de anumana, o método indutivo. Anumana significa literalmente “seguir (anu) a mente (mana)”, ou seja, a hipótese. Esse processo também é imperfeito, pois não pode nos dar conhecimento daquilo que se encontra além do limite de nossa comprovação. Infelizmente, muitas teorias científicas dependem dessa conjectura indutiva: “talvez seja isso, talvez seja aquilo” ou “talvez seja assim, talvez seja de outra maneira”, mas, realmente, isso não é verdadeira ciência. Entretanto, quando você recebe o conhecimento de uma fonte autorizada, você o aceita sem problemas. Por exemplo, quando você ouve notícias no rádio de autoridades no assunto, isso é perfeito e não há por que recusar tal conhecimento. Desse modo, as ágamas, ou escrituras reveladas, também são conhecidas como shabda-pramana ou shruti, pois se trata de conhecimento que se obtém através de ouvir (shruti) das autoridades superiores. Nosso mestre espiritual Srila Prabhupada Prabhupada diz que shruti se refere ao conhecimento que se adquire ouvindo; não se trata de conhecimento experimental. O shruti equivale à mãe, pois o filho recebe muito conhecimento da mãe. Por exemplo, se um filho quiser saber quem é o seu pai, é inviável sair por aí fazendo testes de DNA em todos os homens que encontrar. É melhor que ele pergunte para sua mãe. De um modo geral, quando a mãe diz para o filho: “eis aqui seu pai”, ele deve aceitar. Do mesmo modo, é necessário que se aceite os Vedas (ágamas), caso alguém queira adquirir conhecimento que ultrapasse seu campo de ação e o alcance limitado da sua mente, inteligência e sentidos materiais.

As escrituras védicas (ágamas) são, portanto, consideradas a mãe (matá). Por isso, elas são chamadas de shruti-matá. O primeiro a ser instruído sobre as ágamas foi Brahma, a primeira criatura viva deste universo particular. Depois de ter recebido as ágamas, Brahma as transmitiu a seu filho, o sábio Narada, e a outros discípulos e filhos, que também as transmitiram a novos discípulos, e assim por diante até os dias de hoje. Esse processo de transmissão do conhecimento através da sucessão discipular é conhecido como parampara. Diferentemente do conhecimento material, relativo às coisas dentro do universo material, existe o conhecimento transcendental, que diz respeito às coisas situadas além do nosso limitado campo de visão. As ágamas, portanto, revelam informações que, para os nossos sentidos ou raciocínio materiais, são achintya, inconcebíveis, e estão além do alcance de qualquer metodologia científica. Ou seja, o conhecimento transcendental não pode ser obtido meramente por pratyaksha (percepção direta) ou anumana (método indutivo).

 

ASHRAM VRAJABHUMI

 

 


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