A Ciência Espiritual

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Por Chandramukha Swami 

 

Embora na visão científica ocidental qualquer tipo de conhecimento que não seja empírico seja rejeitado, o conceito védico de ciência é bem diferente.

Para obter conhecimento empírico de algo é necessário manipular o objeto de estudo. Mas como isso pode ser feito com coisas que são superiores a nós? Desse modo, o sistema védico não recomenda esforços no sentido de se procurar compreender as verdades transcendentais empregando os sentidos limitados (pratyaksha) ou valendo-se de simples especulação mental (anumana). Na tradição empírica, considera-se qualquer coisa fora da percepção ou da indução sensorial como simples fé, dogma religioso, crença etc., mas, na concepção védica, os trabalhos de pesquisa e a erudição acadêmica não são tão apreciáveis, já que os meios e instrumentos utilizados são considerados questionáveis. Recomenda-se, portanto, que um estudante do conhecimento transcendental submeta-se a uma disciplina espiritual sob a orientação de um guru, uma alma auto-realizada. Assim, o processo é completamente simplificado e todo o trabalho de pesquisa se torna desnecessário, pois o estudante recebe um conhecimento perfeito que descende através de seu guru, por meio da sucessão discipular. Existe um verso na Bhagavad-gita que explica que se deve tentar compreender a verdade aproximando-se de um mestre espiritual, fazendo-lhe perguntas relevantes e seguindo suas instruções, pois como ele possui visão espiritual pode revelar a verdade.

Os filósofos védicos declaram que ao aceitar um guru e receber iniciação espiritual dele, um novo campo de conhecimento se descortina diante do discípulo, o conhecimento transcendental que está muito além de qualquer metodologia científica ocidental. A conclusão é que se deve estudar as escrituras reveladas com o auxílio de um guru fidedigno, pois o mero esforço pessoal não é suficiente para a pessoa compreender verdades mais profundas.

Como, além de acreditar firmemente no que está ensinando, o guru tem realizações práticas desses ensinamentos, é mais fácil compreender as escrituras ouvindo suas instruções cheias de realizações pessoais do que estudando a palavra escrita sozinho. Além disso, o guru é um acharya - aquele que ensina através do exemplo - e, como um representante vivo da sucessão discipular, traz consigo os ensinamentos de todos os mestres antecessores. Mas, geralmente, quando alguém ouve a palavra guru fica naturalmente cético, pois não está familiarizado com as qualificações de um guru autêntico. No livro “Introdução à Filosofia Védica”, o autor, Satsvarupa Goswami, fala sobre o fato lamentável de que, em anos recentes, mestres indianos e até ocidentais contribuíram para a destruição da credibilidade do guru, pois apresentaram pontos de vista que não estão de acordo com a versão védica. Não é um fato? Alguns gurus chegam a cobrar taxas para ditos mantras secretos! Outros permitem que seus ditos discípulos não se comprometam com as austeridades prescritas nos Vedas, alguns ensinam que o yoga não passa de ginástica indiana etc. Isso para não falar daqueles que se declaram Deus!

Na verdade, apenas um pouco de conhecimento acadêmico não qualifica uma pessoa como guru, pois, mesmo sendo intelectualmente brilhante, se a pessoa carece de retidão de caráter ou está presa ao desfrute egoísta, ela não pode atuar como um verdadeiro guru. O guru deve ser necessariamente um swami, ou senhor dos sentidos, e não um escravo das demandas corpóreas. Como entende que o conhecimento espiritual traz as verdadeiras soluções para os problemas (os quais são sempre de ordem material), ele pessoalmente leva uma vida bem-aventurada em união com o Supremo e todas as suas instruções são compatíveis tanto com o seu próprio comportamento quanto com os ensinamentos originais das ágamas. É muito raro encontrar tal grande alma.

 

Atividades no "Govinda"

Retiro

chalés aconchegantes
suítes compartilhadas

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